janeiro 23, 2004

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Sem sombras que me vejam, percorro aquilo que ainda não é sombra. E vou construindo os meus sentimentos. Pego nas palavras e moldo-as à minha medida. Não sei se crio, não sei se recrio: vou virando de avesso aquilo que sinto.

Deixem-me assim. Mentindo a mim próprio, fugindo do que percorro, sem olhar para trás. A mágoa escreve através de lágrimas o imenso tédio que tenho de mim. Não consigo viver sem ser assim, sou feliz assim. Sou estúpido assim.

Para mim as palavras são o refúgio de quem não quer ter pensamentos, os meus sentimentos são as palavras que escrevo. Elas ficam aqui, agarradas a este fundo que as segura. Em mim elas não ficam, caem e voltam a nascer outras. Não me contento em sentir apenas a felicidade e a tristeza. Quero sentir o que vai de uma para outra. Não quero ser preto nem branco, mais nem menos, não quero ser o oposto nem o oposto do oposto. Quero ser o que vai de uma coisa que vai para outra, quero ser o meio. O meu meio de ser meio. Viver sem saber o que sou, ir vivendo ao sabor de mim próprio. Feliz na minha tristeza e triste na minha felicidade. Os meus sentimentos nem eu os conheço, tambem não os quero conhecer. Não quero saber o que sou, simplesmente quero ser, e sê-lo sempre.

Publicado por truth em janeiro 23, 2004 12:50 AM
Comentários

E ser é o melhor. Senti-te...

Afixado por: D em janeiro 23, 2004 03:16 AM

O esperado regresso :).
Nada é melhor e menos restritivo do que viver e sentir sem ter de definir ou colocar etiquetas.

Afixado por: Marta em janeiro 23, 2004 10:24 AM

Muito boa a escrita deste rapaz!!! Vale a pena ler-se estas reflexões pq têm elevada qualidade. Apenas sentimentos expressados d forma verbalmente espectacular. Continua Alex tás no bom caminho, e a continuares assim pode ser k consigas realizar o teu desejo.

Afixado por: Fábio Ramalho em janeiro 23, 2004 08:47 PM

Gostei especialmente deste post... ;)

Afixado por: emily em janeiro 31, 2004 08:24 PM